Mariamélia

By sufragista - março 15, 2019


Durante o último mês do ano passado mostrei pela primeira vez ao vivo (numa loja pop-up) o resultado deste ano inteiro de trabalho focado em renovar a Mariamélia — um projeto que já conta com quatro anos de existência sem nunca se ter definido por completo. Neste último ano, decidimos encontrar um objetivo e persegui-lo, montar um projeto no qual acreditamos e fazer dele a nossa atividade profissional a tempo inteiro.

Mas como em todos os projetos, e todas as percerias, há um momento crítico em que percebemos que temos que tomar decisões difíceis porque o caminho que as coisas estão a tomar não é consensual ou então porque não vemos os resultados que esperávamos. Neste caso, a parceria que tinha formado o projeto deixou de fazer sentido porque já não era ela que sustentava o projeto — na verdade, era o projeto que sustentava essa parceria, e isso não fazia sentido. 

Resolvemos por isso terminar essa parceria e eu decidi seguir com o projeto a solo, contando com as muitas pessoas com que colaboro regularmente: na sua maioria artesãos e makers locais, que trabalham desde a madeira e o metal, do vime à cana, da cerâmica aos têxteis. Sem esta rede fundamental de pessoas não havia Mariamélia. A nova Mariamélia nasceu exatamente desta rede de contactos, de experiências que resultaram e do trabalho que tem sido desenvolvido desde o final de 2017 — e sem esta rede não seria nada. Uma das ideias mais importantes a retirar desta nova fase é exatamente esta: um projeto tem de estar assente em pessoas e contactos sólidos — sem esses contactos, fechados numa bolha, não é possível construir um projeto pertinente, que tenha impacto e que se proponha a ter voz sobre uma série de matérias: como um consumo (politicamente) mais consciente, um estilo de vida mais lento, baseados na necessidade de viver de uma forma realmente sustentável.

Além dos artesãos com que colaboramos, os nosso fornecedores de materiais — que vão desde pequenas fábricas nacionais a lojas de comércio tradicional na cidade — são outros parceiros essenciais, sem os quais seria muito difícil desenvolver produtos tão diversos, e garantir uma escala artesanal e local em cada um desses produtos.

A propósito desta mudança, decidi continuar a falar no plural, porque a Marimélia é cada vez mais um projeto a muitas mãos, e a tantas vozes, que me ajudam nos momentos mais difíceis, e nas decisões menos consensuais.

Dedico-me diariamente a desenvolver objetos para a casa — mas também há acessórios — todos feitos em Portugal por artesãos e artistas locais, mas também por pequenas indústrias com processos semi-industriais. Não lhe gosto de chamar uma marca de lifestyle, mas poderia ser percecionada assim. Se fosse uma loja física, seria com certeza uma "concept store". Na verdade, este conjunto de objetos é difícil de traduzir em poucas palavras — pensamos essencialmente na casa, mas também nas coisas que se fazem em casa: desde regar as plantas, fazer pão ou ler um livro numa cadeira confortável.

A Mariamélia é, também por isso, a soma de todas as coisas que gosto de fazer, e reflete muitos dos valores de trabalho, consumo e filosofia de vida que defendo e sigo. Tem sido, aliás, um projeto que "alicerça" os meus ideais de vida, propondo alternativas de consumo mas também exigindo de mim uma coerência e consistência nas escolhas que faço. E isso tem sido mais que bom!

Acompanhem diariamente a Mariamélia no instagram e no facebook, e quinzenalmente, subscrevendo a newsletter que escrevo e componho duas vezes por mês. Se gostam de blogues, leiam também os artigos que escrevo no blogue do projeto.

  • Share:

1 comments

  1. Adoro o projecto! Boa sorte e muita força nesta nova fase ♥

    ResponderEliminar