Amor

By sufragista - novembro 07, 2019

Era uma linguagem que tínhamos aprendido os dois para nos conhecermos e para nos mudarmos no processo do amor. E rapidamente queríamos só o princípio das coisas, a memória boa e virgem dos começos. De quando éramos virgens do outro, inocentes do que nos muda por dentro.

Construíamos uma linguagem para podermos estar juntos e provar do mesmo vinho, da mesma carne, do mesmo sangue. Foi uma ligação carnal como uma refeição, foram os rituais todos, foram as palavras. As palavras eram empurradas para fora de nós sem qualquer pudor. Queríamos armas e abriamos a boca. Uma guerra fria, gélida. Passamos do fogo à água como quem se esquece.

Esquece-me. Esqueço-te. Nunca serás o que fomos.
Já nem me lembro de quem eras.





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