As pessoas num autocarro, numa carruagem de metro, numa rua da cidade. As pessoas numa cidade, numa vila, numa escola. As pessoas de todos os cantos do mundo, com ritos diferentes, histórias diferentes, comidas diferentes. Todas numa sala de aula, todas numa mesa comunitária, todas unidas pela condição de habitante, trabalhador, consumidor. Antepassados que nunca se cumprimentaram antes. O caminho da humanidade a ser impressionante. O caminho da humanidade a unir um planeta inteiro sob um telhado comum.
O 25 de abril é, ainda hoje, a cola da nossa democracia frágil. Foi ao todo de todos estes anos o garante dos princípios socialistas e sociais-democratas, e o apoio ideológico na construção de um Estado-providência. Agora que deixamos os neoliberais, os populistas e os fascistas tomar lugar na casa da democracia e antes disso, nas instituições públicas e na imprensa, fica claro como a intenção é fazer do 25 de abril um bode-expiatório de tudo o que correu mal e podia ter corrido melhor (para estes mesmos grupos). Dissolver esta cola, pouco a pouco, é desprender o estado democrático, com todos os seus defeitos, que levamos décadas a construir.