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Graças a esses (antigos) bons hábitos de haver jornais nos cafés pude encontrar argumentos para questões que não sabia que tinha, e foi realmente como um despertar. As questões que vi respondidas não foram mais importantes que despertar em mim o debate sobre essas ideias: como um rastilho, o mais significativo foi ficar com muitas perguntas na cabeça, que me permitiram continuar a duvidar dos meus próprios preconceitos.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/span\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003ENunca será tarde demais para que um livro, um artigo de jornal, uma música, uma peça de teatro, um filme, ou uma série coloquem questões dentro de nós, muitas vezes para sempre. A educação é um processo para a vida, não termina na escola. Assumir um compromisso de educação perpétua é a única arma contra a ignorância, e portanto, a obscuridade.\u003C\/div\u003E"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/feeds\/1665818211012791917\/comments\/default","title":"Enviar feedback"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2020\/06\/racismos.html#comment-form","title":"0 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/1665818211012791917"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/1665818211012791917"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2020\/06\/racismos.html","title":"Racismos"}],"author":[{"name":{"$t":"sufragista"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/03430449942551113706"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"32","height":"32","src":"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-nsoTae4alfc\/UIUk-0DT98I\/AAAAAAAABC0\/mcnGyL4wTNo\/s220\/sufragista-250.png"}}],"media$thumbnail":{"xmlns$media":"http://search.yahoo.com/mrss/","url":"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-_Wve_pyf1_Q\/XvOCMYgcLeI\/AAAAAAAAD_8\/dOBYqdP_F5Mu7z_s3Fg1SFCS8XHzePt9wCLcBGAsYHQ\/s72-c\/10483423_1438413406428705_288560500_n.jpg","height":"72","width":"72"},"thr$total":{"$t":"0"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-11875602.post-1051680082260621351"},"published":{"$t":"2020-06-22T11:55:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2020-06-24T17:53:15.166+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"portugal"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"racismo"}],"title":{"type":"text","$t":"No país dos cordiais"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003EUm resumo de um dos artigos mais importante que li este ano, que apenas pretende ser um isco para a leitura \u003Ca href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/02\/02\/sociedade\/ensaio\/padre-antonio-vieira-pais-cordiais-eterna-leveza-anacronismo-guardiaes-consenso-lusotropical-1902135?fbclid=IwAR21DXzwj6zTRCsq6m-lk-m8tW87inyiHUsgNeI8OhGo6SrN9zFaRZhEKNg\" target=\"_blank\"\u003Ecompleta do artigo\u003C\/a\u003E, publicado em Fevereiro deste ano, como que antecipando as polémicas que uma só estátua, no contexto atual, iriam provocar.\u003C\/span\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cblockquote class=\"tr_bq\"\u003E“\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003EDe facto, nem o 25 de Abril nem as independências africanas beliscaram o consenso ideológico em torno do lusotropicalismo. Apesar da descolonização política, que teve lugar no pós-25 de Abril, a psique nacional reitera repetidamente os hábitos mentais do colonizador; e assim, na consciência de muitos, Portugal ainda é império.\u003Cbr \/\u003E \u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003EO questionamento crítico de que tem sido alvo, desde pelo menos os anos 1950 por parte de intelectuais africanos e desde os anos 1980 por parte de universitários portugueses, não parece, até agora, ter permeado a opinião pública. A emergência de novos atores sociais, com destaque para os sujeitos racializados, cujas intervenções na sociedade portuguesa sempre existiram mas nunca foram reconhecidas pelas instâncias legitimadoras das narrativas culturais e historiográficas, constitui um fator decisivo na quebra da hegemonia lusotropical.\u003Cbr \/\u003E \u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003EAs intervenções críticas que têm marcado a actualidade têm suscitado fortes reações por parte dos que assumem o papel de guardiães do velho consenso: académicos e outros intelectuais aposentados, o comentariado tradicional, grisalho e conservador — predominantemente masculino, branco, lisboeta e de uma certa classe social — que pulula um pouco por todos os jornais e televisões, interpretando a “realidade” nacional a uma só voz. A estes juntam-se também vários catedráticos, ainda no ativo, e funcionários superiores em instituições museológicas, bibliotecas e arquivos que emprestam o seu nome e título profissional ao serviço de narrativas edulcoradas e mitologizantes do passado colonial.\u003C\/span\u003E\u003C\/blockquote\u003E\u003Cblockquote class=\"tr_bq\"\u003EO que os guardiães do consenso não fazem, pelo contrário, é explicar estas opções ou sequer admitir que elas existem enquanto tais. Possivelmente, na sua imaginação, serão autores de uma história universal e eterna: válida para sempre e em todos os lugares; imune a releituras; impérvia ao debate e acima de qualquer dúvida. E é precisamente a partir deste equívoco que emana a fraude da história consensual: querer naturalizar uma só interpretação da História como a única possível ontem, hoje e amanhã. (...) No entanto, esquecem-se com isto que celebrar os “grandes feitos” de homens envolvidos no processo violento de colonização e defender a narrativa rosácea do “grande Portugal” é também uma escolha ideológica — curiosamente, a mesma escolha ideológica vigente em Portugal durante todo o regime salazarista. (…) Impõe-se a questão: se a resistência dos povos historicamente oprimidos foi contemporânea aos actos ditos heróicos, por que motivo é anacrónico para os guardiães do consenso questionar a resistência mas não o heroísmo?\u003C\/blockquote\u003E\u003Cblockquote class=\"tr_bq\"\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E(...)\u0026nbsp;\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003EMonumentos recentes como \u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003Ea estátua do Padre António Vieira\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E, inaugurada em 2017 no Largo Trindade Coelho, em Lisboa, são na realidade não mais do que materializações fantasistas da história. (...) a estátua é um fac-símile encomendado, pago e inaugurado “hoje”.\u0026nbsp;\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003EÉ, por isso mesmo, não mais do que um arcaísmo estórico que o presente urdiu e que atabalhoadamente tentou maquilhar de jóia de família. Ela é a prova de que o tempo histórico não é algo linear, mas processual e saturado de temporalidades — e que, simultaneamente, a construção das imagens no tempo se inscreve em modos de fazer organizados por discursos de poder que constroem a visualidade, a sua reprodução na longa duração e os seus modos de apreensão.\u003C\/span\u003E\u003C\/blockquote\u003E\u003Cblockquote class=\"tr_bq\"\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E(...) Patrocinado pela Câmara Municipal de Lisboa, a Santa Casa da Misericórdia, a Companhia de Jesus e o Patriarcado de Lisboa, numa iniciativa recente de requalificação do espaço urbano lisboeta, este insistente engano de interpretação, entretanto, germinou e teve sementes quando foi encomendado ao escultor Marco Fidalgo, que, banhando-se no néctar das fantasias coloniais que sempre deleitam a Igreja e o poder político em Portugal, conjeturou que Vieira teria chegado “ao coração do povo índio através das crianças”.\u003Cbr \/\u003E \u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E(...) Ora, se o contexto da produção das ditas gravuras foi caracterizado pela reconfiguração e expansão do poder imperial, devemos perguntar-nos que projetos imperiais se delineiam de 2017 para cá, para que a sociedade portuguesa do século XXI, laica e nominalmente pós-colonial, mereça ser catequizada em permanência no espaço público pelos fantasmas de bronze que desse império sobraram.\u003C\/span\u003E\u003C\/blockquote\u003E\u003Cblockquote class=\"tr_bq\"\u003E\u0026nbsp;\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E(...) Esta foi a mesma câmara que em 2018 promoveu inadvertidamente o debate sobre um “museu da descoberta” destinado a celebrar o lusotropicalismo. Sabendo como sabemos que esse museu já existe a céu aberto, disseminado um pouco por toda a cidade, e concentrado na zona de Belém de forma mais acentuada, juntamente com instituições como o Arquivo Histórico Ultramarino, a Sociedade de Geografia, a Academia das Ciências, a Biblioteca da Ajuda e o MNAM, que guardam a memória do império perspectivada pelo poder. Infelizmente, para estas instituições, visitadas por inúmeros investigadores nacionais e estrangeiros, e fulcrais para um estudo mais plural e crítico do passado, não se mobilizam os fundos.\u003C\/span\u003E\u003C\/blockquote\u003E\u003Cblockquote class=\"tr_bq\"\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E(...) Veja-se, a título de exemplo, o tratamento que receberam por parte do comentariado e do poder político o ativista Mamadou Ba em janeiro último, quando se atreveu a criticar a chocante atuação da polícia na repressão de habitantes de um bairro da periferia lisboeta ou da manifestação na Av. da Liberdade, ou, desde outubro, a deputada eleita Joacine Katar Moreira. Uma análise de incontáveis artigos de opinião publicados então e agora mostraria que os afrodescendentes em Portugal são tolerados apenas até ao momento em que se afirmam como sujeitos políticos de pleno direito e sobretudo se essa afirmação é acompanhada do exercício do direito à palavra e ao espaço público.\u003C\/span\u003E\u003C\/blockquote\u003E\u003Cblockquote class=\"tr_bq\"\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E(...) Os comentadores de serviço podem apressar-se a dizer que tudo isto é vandalismo. Porém, trata-se daquilo a que Frédéric Gros chamou dissidência cívica (Désobéir, 2018). Aquilo que os pichadores fazem não é mais do que se reconhecerem a si mesmos como sujeitos políticos, no quadro da reinvenção de uma democracia que se quer crítica e interrogativa. A “merda” que os pichadores do Porto incordialmente demandam que seja retirada é uma estátua mas é também, e sobretudo, a materialidade dos consensos impostos no espaço público; o fim da hegemonia narrativa imposta pelos seus guardiães.\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003EEm suma, não há anacronismo na crítica às estátuas produzidas em contexto colonial, seja esse contexto aquele que vigorou até 1974-75 ou o que, após essa data, se reproduz continuamente no discurso oficioso do Estado português. Como aliás não há anacronismo na crítica ao “museu da descoberta” ou mesmo nos pedidos de desculpas e reparações. Estas foram exigidas em vida pelas pessoas escravizadas, sendo-lhes de imediato negadas — é por isso que, quando hoje se as pedem, não há anacronismo.\u003C\/span\u003E\u003C\/blockquote\u003E\u003Cblockquote class=\"tr_bq\"\u003E\u0026nbsp;\u003Cspan style=\"font-family: inherit;\"\u003E(...) E o único destino que se pode dar às estátuas enxertadas da imaginação colonial lusotropical é o regresso à fundição.\u003C\/span\u003E”\u003C\/blockquote\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Ca href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/02\/02\/sociedade\/ensaio\/padre-antonio-vieira-pais-cordiais-eterna-leveza-anacronismo-guardiaes-consenso-lusotropical-1902135?fbclid=IwAR21DXzwj6zTRCsq6m-lk-m8tW87inyiHUsgNeI8OhGo6SrN9zFaRZhEKNg\" target=\"_blank\"\u003EO padre António Vieira no país dos cordiais\u003C\/a\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cdiv\u003EInês Beleza Barreiros , Patrícia Martins Marcos , Pedro Schacht Pereira e Rui Gomes Coelho\u003C\/div\u003E\u003Cdiv\u003E2 de Fevereiro de 2020\u003C\/div\u003E\u003Cdiv\u003Ejornal Público\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/feeds\/1051680082260621351\/comments\/default","title":"Enviar feedback"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2020\/02\/no-pais-dos-cordiais.html#comment-form","title":"0 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/1051680082260621351"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/1051680082260621351"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2020\/02\/no-pais-dos-cordiais.html","title":"No país dos cordiais"}],"author":[{"name":{"$t":"sufragista"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/03430449942551113706"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"32","height":"32","src":"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-nsoTae4alfc\/UIUk-0DT98I\/AAAAAAAABC0\/mcnGyL4wTNo\/s220\/sufragista-250.png"}}],"thr$total":{"$t":"0"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-11875602.post-7353179262788408017"},"published":{"$t":"2020-02-29T10:27:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2020-06-24T17:45:54.290+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"portugal"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"racismo"}],"title":{"type":"text","$t":"The twenty-first century"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cdiv class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"\u003E\u003Ca href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/Bdv-hKajhZc\/\" target=\"_blank\"\u003E\u003Cimg border=\"0\" data-original-height=\"1350\" data-original-width=\"1080\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-7J1b_twAXLk\/XqlXR7_m8iI\/AAAAAAAAD-k\/3AE9i_0Tz6Mkbp5eiY8GKkCOjoiR6FddgCPcBGAYYCw\/s1600\/26065588_144879662878165_7899119678310580224_n.jpg\" \/\u003E\u003C\/a\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E“\u003Ci\u003EPois agora vem para aqui o ‘preto’...\u003C\/i\u003E”  “\u003Ci\u003EO ‘preto’ está para ali a fumar e a beber a super bock do supermercado...\u003C\/i\u003E”\u003Cbr \/\u003EO homem volta a entrar na cafeteria enquanto resmunga estas frases em direção à cozinha e ao empregado que olha para a esplanada enquanto abana a cabeça em desaprovação. O homem gere a cafeteria com a mulher mas o espaço não é privado, trata-se da cafeteria do edifício de uma biblioteca \u0026nbsp;e da galeria municipal da cidade. É um espaço público, no qual, certamente, aplicam-se regras diferentes de espaços de restauração privados. Não faço ideia se é permitido consumir outros produtos na esplanada deste espaço e tampouco é relevante neste caso. O que é relevante são as palavras usadas para classificar uma pessoa. Só por si este episódio seria muito grave.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003ENão passavam dez minutos deste episódio quotidiano, quando oiço, ao balcão, uma cliente a discutir com este mesmo funcionário. O pedido dela teria sido negado, ou ter-lhe-ão dito que não havia aquilo que queria, não consegui perceber exatamente, e ouço-a dizer que ele tinha sido malcriado no seu atendimento. Ela é uma mulher racializada. Antes de se ir embora e visivelmente incomodados, tanto ele como a funcionária atrás do balcão, trocam olhares cúmplices e envergonhados. Depois da cliente se ir embora, a funcionária comenta com ele, de forma propositadamente audível, algo como “e depois as pessoas pensam que nós não somos simpáticos com os clientes, eles é que são os verdadeiros racistas...”\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EMais explícito que a tensão que senti neste episódio é impossível. Nesta situação quase surreal, foi quase como ver dois séculos de distância entre pessoas no mesmo plano, temporal e físico, de existência. O que há entre o “nós” e o “eles” é precisamente esse intervalo civilizacional, temporal, cultural, geracional, que nos impede de ler a maioria destas situações de uma forma clara. Sem dúvidas. Sem equívocos e sem desculpas. Não se trata (nunca) do politicamente correto, e do “já não se pode dizer nada”. Trata-se da presença dos indivíduos racializados sem o filtro da subjeição ou da excepcionalidade, e de como essa surpresa mexe com a estrutura colonial da sociedade portuguesa que nunca foi confrontado com essas condições. É também sobre este binómio de frustração sobre a inversão dos papéis coloniais, porque aqui é o colonizador que serve os indivíduos racializados, percepcionados subconscientemente como colonizados. Não quero eliminar os argumentos racionais, mas nestes casos a percepção das emoções é primordial para perceber o que está em causa. Quando eu própria fui atendida senti um nervosismo e uma relutância no atendimento, um desprezo superficial. Não sei se será uma constante de frustração na sua vida, se simplesmente não gosta de jovens ou se tem um problema com mulheres emancipadas, mas algo se passa na cabeça de milhares de homens de meia-idade atrás de balcões como se este fosse (ainda) o século passado...\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/feeds\/7353179262788408017\/comments\/default","title":"Enviar feedback"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2020\/02\/the-twenty-first-century.html#comment-form","title":"0 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/7353179262788408017"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/7353179262788408017"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2020\/02\/the-twenty-first-century.html","title":"The twenty-first century"}],"author":[{"name":{"$t":"sufragista"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/03430449942551113706"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"32","height":"32","src":"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-nsoTae4alfc\/UIUk-0DT98I\/AAAAAAAABC0\/mcnGyL4wTNo\/s220\/sufragista-250.png"}}],"media$thumbnail":{"xmlns$media":"http://search.yahoo.com/mrss/","url":"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-7J1b_twAXLk\/XqlXR7_m8iI\/AAAAAAAAD-k\/3AE9i_0Tz6Mkbp5eiY8GKkCOjoiR6FddgCPcBGAYYCw\/s72-c\/26065588_144879662878165_7899119678310580224_n.jpg","height":"72","width":"72"},"thr$total":{"$t":"0"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-11875602.post-2200091858114330862"},"published":{"$t":"2020-02-12T17:13:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2020-06-24T17:46:25.680+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"portugal"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"racismo"}],"title":{"type":"text","$t":"Do monstro no palácio"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cdiv class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: left;\"\u003E\u003Ca href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-CNXnYtNP92A\/Xkl3viK-nMI\/AAAAAAAAD60\/XdbyOpilCNkF-IWUCYfX7smZlm-aWCyswCEwYBhgL\/s1600\/21690792_811501495696970_3645750897213964288_n.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"\u003E\u003Cimg border=\"0\" data-original-height=\"1080\" data-original-width=\"1080\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-CNXnYtNP92A\/Xkl3viK-nMI\/AAAAAAAAD60\/XdbyOpilCNkF-IWUCYfX7smZlm-aWCyswCEwYBhgL\/s1600\/21690792_811501495696970_3645750897213964288_n.jpg\" \/\u003E\u003C\/a\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv\u003EHá umas semanas participei de um pequeno debate onde a opinião de algumas pessoas sobre pronunciarem-se ou não sobre as coisas que dizia AV no Facebook, essencialmente sobre a polémica do “volta para a tua terra”, era de que se devia evitar partilhar notícias sobre a polémica.\u003C\/div\u003E\u003Cbr \/\u003EOra, este argumento — que eu já via repetido por muitas outras pessoas que subscrevem ideias de esquerda — é de que ao partilhar estas notícias que davam eco à sua figura, ao seu partido e ao seu discurso racista (e não xenófobo, como se insiste em classificar), estava-se a dar-lhes mais força e mais visibilidade. Portanto, ignorando estes conteúdos\u0026nbsp;“virais”, o “ruído” sobre a extrema-direita direita com representação parlamentar seria menor, e deduzo, essa seria uma forma de não “pactuar” com o seu crescimento e a sua influência nos espaços noticiosos e no debate público.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EOra, o debate público não é “uma página numa rede social”, nem tão pouco o que se discute numa rede social, nem em duas, nem em várias páginas de vários jornais. O debate público deverá ser mais que todas as plataformas em que recebemos e trocamos informações e ideias. Ao reduzir esta questão a uma ideia de partilhas de notícias estamos desde logo a limitar o próprio debate ao Facebook, quando já se sabe que não há qualquer interesse em criar mecanismos que nos protejam das notícias falsas e dos discursos de ódio. \u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003ENa verdade, esta postura de intuir que é melhor estar calado para não acordar o monstro é no mínimo desinformada e no máximo ingénua. O monstro já está há muito tempo acordado, multiplicado, entre nós, e com assento parlamentar. O monstro está naquela senhora de meia-idade que ouvi confessar, numa das primeiras (recentes) manifestações feministas na cidade do Porto, há cerca de dois anos, que as decisões machistas de juizes (como Neto de Moura) eram uma vergonha, mas que o politicamente correto não tinha jeito nenhum. O monstro vive em cada decisão pública de menorizar a presença de neo-nazis no espaço e no debate público. O monstro alimenta-se nos restaurantes que servem francesinhas portuenses “decoradas” com cruzes suásticas (como no jantar desse partido de extrema-direita que aconteceu no Mercado Ferreira Borges que pertence ao Hard Club), como \u003Ca href=\"https:\/\/porponto.org\/programas\/05\" target=\"_blank\"\u003Eouvi aqui\u003C\/a\u003E.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EEstarmos agora calados é o mesmo que fazer que não vemos o que está à nossa frente. É dizer que AV não é realmente um racista, mas apenas um oportunista. Que nada disto é a “real thing”, é só uma cópia má. Toda esta negação é só um indício de que já estamos na boca desse monstro, que não vai parar até nos deglutir.\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003EA única forma de alertar para os monstros é precisamente não pactuar com eles de forma nenhuma, evitar dar-lhes espaço de manobra e gritar tanto quanto possível sobre as suas monstruosidades. Se nos calarmos por um momento, seremos apenas mais um naquela mesa de nazis com nostalgias fascistas. \u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cdiv\u003E\u003C\/div\u003E"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/feeds\/2200091858114330862\/comments\/default","title":"Enviar feedback"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2020\/02\/do-monstro-no-palacio.html#comment-form","title":"0 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/2200091858114330862"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/2200091858114330862"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2020\/02\/do-monstro-no-palacio.html","title":"Do monstro no palácio"}],"author":[{"name":{"$t":"sufragista"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/03430449942551113706"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"32","height":"32","src":"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-nsoTae4alfc\/UIUk-0DT98I\/AAAAAAAABC0\/mcnGyL4wTNo\/s220\/sufragista-250.png"}}],"media$thumbnail":{"xmlns$media":"http://search.yahoo.com/mrss/","url":"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-CNXnYtNP92A\/Xkl3viK-nMI\/AAAAAAAAD60\/XdbyOpilCNkF-IWUCYfX7smZlm-aWCyswCEwYBhgL\/s72-c\/21690792_811501495696970_3645750897213964288_n.jpg","height":"72","width":"72"},"thr$total":{"$t":"0"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-11875602.post-7376146217808935460"},"published":{"$t":"2019-11-19T17:32:00.000+00:00"},"updated":{"$t":"2020-06-24T17:48:41.639+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"filme"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"racismo"}],"title":{"type":"text","$t":"‘Sobre a Violência’"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cdiv class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"\u003E\u003Ca href=\"https:\/\/www.slantmagazine.com\/film\/concerning-violence\/\" target=\"_blank\"\u003E\u003Cimg border=\"0\" data-original-height=\"405\" data-original-width=\"800\" src=\"https:\/\/www.slantmagazine.com\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/concerningviolence.jpg\" \/\u003E\u003C\/a\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;\"\u003EQue haveria resistência já se adivinhava. Não uma resistência contra uma ocupação mas uma resistência no sentido da recusa em ouvir e de ser penetrado pelo outro.\u0026nbsp;\u003C\/span\u003E\u003Cspan style=\"color: #1c1e29; text-align: justify;\"\u003EO que eu não adivinhava era que estaríamos dispostos a pôr em causa o lugar do outro apenas por desconforto. E foi essencialmente de desconforto (e de recusa) que se instalou por momentos aquilo que foi em primeiro lugar uma enorme falta de respeito, e em seguida se transformou numa tentativa tosca de silenciar. Tudo aconteceu no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, no âmbito da programação da Feira do Livro do Porto, iniciativa da CMP.\u0026nbsp;\u003C\/span\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003C\/span\u003E\u003Cspan id=\"goog_722457140\"\u003E\u003C\/span\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003EA historiadora Joacine Katar Moreira havia sido convidada pela organização do \u003Ca href=\"http:\/\/www.porto.pt\/noticias\/ciclo-de-cinema-leva-a-feira-do-livro-reflexoes-sobre-a-identidade-da-europa\" target=\"_blank\"\u003Eciclo de cinema\u003C\/a\u003E, para a apresentação do filme exibido nesta sessão — uma colaboração entre o pelouro da Cultura da CMP e o Cineclube do Porto — e foi devidamente apresentada pelos seus responsáveis, Joana Canas Marques (do Cineclube do Porto) e Guilherme Blanc (da CMP). O filme em causa é um documentário intitulado “Sobre a Violência” (“\u003Ca href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2015\/04\/28\/culturaipsilon\/noticia\/concerning-violence-tudo-o-que-quero-e-que-as-pessoas-oicam-frantz-fanon-1693767\" target=\"_blank\"\u003EConcerning Violence\u003C\/a\u003E” de Góran Olsson, Suécia 2014) e, de acordo com a sinopse publicada pela organização: “Através das palavras de Frantz Fanon em\u0026nbsp;“Os condenados da Terra”\u0026nbsp;e recorrendo a várias imagens de arquivo,\u0026nbsp;\u003C\/span\u003E“\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003ESobre a Violência”\u0026nbsp;explora a questão da posição europeia em relação ao colonialismo e os mecanismos da descolonização.\u0026nbsp;\u003C\/span\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E“Sobre a Violência\u003C\/span\u003E”, de produção sueca é narrado pela cantora Lauryn Hill.”\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003EAté aqui, poucos minutos antes da sessão começar, a sala permanecia às escuras, como se o filme começasse dentro de minutos. O público queixava-se audivelmente da falta de luz sobre a zona do palco, especialmente quando JKM tomou o palco para uma introdução ao filme e ao temas debatidos no mesmo. Apesar da iluminação do palco nunca acontecer, o público seguia atento o discurso da convidada que colocava questões muito sensíveis, tal como o filme em questão. Numa parte em que menciona a questão da escravatura, do ponto de vista da história, de não se escrever escravatura com ‘E’ maiúsculo tal como se fez com a palavra Holocausto, e questiona de seguida — desde já, tal como no próprio filme — a relação unívoca entre masculinidade e capitalismo, e consequente, o colonialismo, um homem no público interrompe bruscamente a historiadora durante a sua exposição para dizer, primeiro, que discordava e logo em seguida que se “assumia” como um homem branco, o que não ficou sem reparo por outras pessoas no público, pela redundância (e absurdo aparente) daquela afirmação. JKM conseguiu apenas reiterar que naquele momento a palavra era dela, mas a confusão e o desconforto havia-se instalado e logo outro homem no público, que se encontrava no estremo superior da sala, começou a vociferar em voz alta contra o facto de estar apenas a ver uma silhueta, de não querer ouvir aqueles comentários que deveriam ser feitos no final da sessão, que estava muito calor na sala e não conseguia respirar e já tinha pedido para ligarem o ar condicionado e que “tinha direitos”. A maioria do público dizia-lhe para se calar, que se não estava bem que saísse e que queriam continuar a ouvir a introdução ao filme, pela convidada. Foi isso que ouvi explicitamente por parte de uma rapariga brasileira sentada atrás de mim, que estava realmente interessada no que ela estava a dizer e queria ouvir mais. O que aconteceu de seguida surpreendeu-me: os organizadores dirigiram-se ao homem que se queixava do calor na tentativa de acalmar os seus ânimos ou de perceber as suas queixas. A convidada saiu do palco visivelmente incomodada não antes de dizer que são sempre os homens a fazer este tipo de coisas. E a sessão do filme foi iniciada mal o homem queixoso se calou, talvez uns 10 minutos depois. Não houve espaço para nenhum reparo nem nenhuma informação adicional por parte da organização ou por responsáveis da Biblioteca.\u003C\/span\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003EO filme, além de várias imagens impróprias para menores, deixará qualquer branco e certamente qualquer português branco com um sentimento de culpa histórica, um desconforto e uma dúvida permanente sobre o que fazer desses sentimentos.\u0026nbsp;\u003C\/span\u003EJKM não disse praticamente nada que não estivesse explícito ou implícito neste filme, baseado na obra homónima de Frantz Fanon, à excepção de juntar a sua visão feminista sobre os eventos da descolonização portuguesa em África, que são também abordados no filme.\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003ETalvez fosse o desconforto de ser uma mulher negra a falar sobre o homem branco, sobre as sociedades dos homens brancos. Talvez fosse uma personalização desse discurso desconfortável, que levou alguém a assumir-se como algo que é visível e demograficamente comum em Portugal: um homem branco. Talvez fosse pela sensação de estar a ser visado nos seus privilégios, que como ouvimos, levam os homens a achar-se no direito de interromper alguém com que não concordam, e no direito de afirmar que “tem direitos” — que, vejamos, é apenas um eufemismo para “tenho privilégios”. A arrogância de afirmar que “tem direitos” após interromper o discurso de alguém com quem não concorda é claramente igual a dizer que tem direito a calar o outro. Ora, num espaço público, com uma programação cultural pública e municipal, não pode haver espaço para este tipo de intimidação.\u003C\/span\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003EPoucos eventos ilustram tão bem aquilo de que JKM falava. E que tantas mulheres, e homens, que subscrevem uma visão feminista do mundo, afirmam olhando precisamente para a história. Precisamente a propósito disto, acho que é particularmente importante partilhar este episódio agora, após a eleição democrática de JKM como deputada na Assembleia da República, órgão maior de representação política no nosso país, onde tantos não imaginavam poder chegar uma mulher negra que não pertence às elites. Uma Marielle portuguesa e guineense. Uma pessoa que, para além de um contributo como investigadora social e historiadora, tem um contributo pessoal: colocar a sua vida e as suas características pessoais como conteúdos políticos. Porque não podemos negá-los enquanto tal.\u003C\/span\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003EQuantos de nós estaríamos dispostos, para além da exposição mediática, de apresentarmos a nossa biografia como algo político? No entanto, quantos homens (brancos) o fizeram, na política ou na cultura, no nosso país, e foram aplaudidos por isso? Ninguém é imune às biografias daqueles que nasceram em meios empobrecidos e conseguiram formar-se e ser os melhores nas suas áreas, desde Saramago a Cristiano Ronaldo.\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003EO que me leva ao essencial: não é, obviamente, a sua gaguez que faz com que a queiram calar, tal como este episódio demonstra. Tendo tudo isto em conta, também não é o facto de ser alguém com raízes humildes. Portanto há-de se prender com a sua origem ou com o seu género. O homem que a interrompeu disse claramente sem qualquer contexto prévio: “Eu assumo-me como um homem branco”. Ora, se não estivéssemos às escuras naquela sala, talvez ele não tivesse de se “assumir” uma vez que essas características seriam perfeitamente visíveis. Ou será que ele teve de se “assumir” porque estava a ser confrontado com a visão de alguém que é simbolicamente o seu oposto: uma mulher negra? Será que a identidade dela ameaça a sua, e ele teve de dizer aquilo não para ser\u0026nbsp;\u003C\/span\u003E\u003Cem style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003Evisível\u003C\/em\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u0026nbsp;mas para reafirmar o seu privilégio sobre alguém que ele considera que não tem os mesmos direitos que ele? Ou será ainda que devíamos ter “confiado” na penumbra daquela sala não como uma forma de esconder uma identidade mas como uma metáfora da negritude e da penumbra em que vemos o\u0026nbsp;\u003C\/span\u003E\u003Cem style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003Enegro\u003C\/em\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E, na senda do filme que estávamos prestes a visionar?\u003C\/span\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"color: #1c1e29; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cspan data-preserver-spaces=\"true\" style=\"margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;\"\u003EAinda mais a propósito, nesse mesmo dia, eu havia comprado na mesma Feira do Livro do Porto, às portas da Biblioteca Pública onde decorreu esta sessão, esta edição preciosa da Orfeu Negro: “\u003Ca href=\"https:\/\/www.orfeunegro.org\/products\/memorias-da-plantacao\" target=\"_blank\"\u003EMemórias da Plantação\u003C\/a\u003E” de Grada Kilomba. Um ensaio publicado uma década depois em português, que será um dos primeiros ensaios no nosso país a debruçar-se sobre todos estes incómodos, do passado colonial ao racismo quotidiano que esse passado faz questão de fazer sempre presente: “O passado colonial é memorizado na medida em que não é esquecido. Às vezes, é preferível não lembrar. Mas a teoria da memória é, na verdade, uma teoria do esquecimento. Não podemos simplesmente esquecer e não podemos evitar lembrar.”\u003C\/span\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003E\u003Cbr \/\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/feeds\/7376146217808935460\/comments\/default","title":"Enviar feedback"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2019\/11\/sobre-violencia.html#comment-form","title":"0 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/7376146217808935460"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/7376146217808935460"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2019\/11\/sobre-violencia.html","title":"‘Sobre a Violência’"}],"author":[{"name":{"$t":"sufragista"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/03430449942551113706"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"32","height":"32","src":"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-nsoTae4alfc\/UIUk-0DT98I\/AAAAAAAABC0\/mcnGyL4wTNo\/s220\/sufragista-250.png"}}],"thr$total":{"$t":"0"}},{"id":{"$t":"tag:blogger.com,1999:blog-11875602.post-5905019808460270062"},"published":{"$t":"2019-10-15T01:00:00.000+01:00"},"updated":{"$t":"2020-06-24T17:48:57.052+01:00"},"category":[{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"portugal"},{"scheme":"http://www.blogger.com/atom/ns#","term":"racismo"}],"title":{"type":"text","$t":"Disclaimer"},"content":{"type":"html","$t":"\u003Cdiv style=\"text-align: left;\"\u003E\u003Cdiv style=\"text-align: justify;\"\u003EDeixei de considerar qualquer discurso que incluam as expressões \"ditadura do politicamente correto\", \"ideologia de género\", \"lobby gay\" e demais alarvidades semelhantes. Só a menção de politicamente correto é suficiente para me deixar de pé atrás, porque parece um disclaimer automático, parecido com aquela atitude de ressalvar que não somos racistas\/machistas\/xenófobos, e depois vem aquele “mas\". Volto de novo ao \u003Ca href=\"http:\/\/www.sufragista.com\/2018\/02\/sobre-importancia-do-politicamente.html\"\u003Eargumento\u003C\/a\u003E do MEC naquele momento iluminado de TV pública: “(…) nós temos a obrigação de educarmo-nos a nós próprios sobre as coisas e sobre as minorias, etc. Tenho que pensar sobre saber o que é ser branco, portanto, sou previligiado em ser branco. Ando num carro e ninguém pensa que eu o roubei. Percebes? É mais fácil arranjar trabalho, é mais fácil nos restaurantes, é mais fácil tudo. Esse é o trabalho do dito politicamente correto, eu dizer: é branco, priviligiado, burguês... pá... só me sairam todos trunfos, a minha vida é ultra-facilitada.”\u003C\/div\u003E\u003C\/div\u003E"},"link":[{"rel":"replies","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/feeds\/5905019808460270062\/comments\/default","title":"Enviar feedback"},{"rel":"replies","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2019\/10\/disclaimer.html#comment-form","title":"0 Comentários"},{"rel":"edit","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/5905019808460270062"},{"rel":"self","type":"application/atom+xml","href":"http:\/\/www.blogger.com\/feeds\/11875602\/posts\/default\/5905019808460270062"},{"rel":"alternate","type":"text/html","href":"http:\/\/www.sufragista.com\/2019\/10\/disclaimer.html","title":"Disclaimer"}],"author":[{"name":{"$t":"sufragista"},"uri":{"$t":"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/03430449942551113706"},"email":{"$t":"noreply@blogger.com"},"gd$image":{"rel":"http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail","width":"32","height":"32","src":"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-nsoTae4alfc\/UIUk-0DT98I\/AAAAAAAABC0\/mcnGyL4wTNo\/s220\/sufragista-250.png"}}],"thr$total":{"$t":"0"}}]}});