Ao final do dia subi a rua, cansada, de bicicleta pela mão, e ao passar pelo atelier vi uma rapariga muito delicada descer o passeio que eu subia, em direção ao um senhor que a esperava abrigado numa garagem. Era o Siza. Quando passei por ele, olhou-me com aquele olhar que acho que só ele tem e pareceu-me ver por segundos os olhos curiosos da minha mãe, que gostava de lhe confessar ter sido aluna dele há muitos, muitos anos, e que tinha aquela curiosidade corajosa que me parece inata de quem viveu há 40 ou 50 anos atrás.
Depois apercebi-me que o Siza sobreviveu à sua aluna, e que sobreviveu também a uma perda profunda, só para se agarrar à vida (e ao trabalho) numa vida tão longa e tão cheia.
Depois fiquei sozinha, a chorar na companhia da bicicleta, a sentir-me mais pequena que nunca, com a sensação daquela saudade que nos esmaga por dentro, e que nunca deixa de ser.
2557 dias sem ti.
todos os dias, o impossível.
Há 10 anos fiz uma foto-montagem de mãe e filha. Este blog já tinha nascido e eu tinha menos 10 anos. Falar de anos é um passatempo deste blog mas uma década é uma medida que ainda não encaixo na vida, é grande demais para o que fui e o que ainda sou.
Sempre no pânico de ser fantasma de mim mesmo, gosto de me rodear de fantasmas, antepassados, referências, imagens, tudo a fazer dar sentido ao tempo e aos lugares onde estou. Até um blog pode ser uma ampulheta da vida, é só querer.
Sempre no pânico de ser fantasma de mim mesmo, gosto de me rodear de fantasmas, antepassados, referências, imagens, tudo a fazer dar sentido ao tempo e aos lugares onde estou. Até um blog pode ser uma ampulheta da vida, é só querer.
no livro mais feminino (e belo) do poeta valter hugo mãe este dedica o livro
assim, temos um deus grande sem útero que inventa uma única mulher para reproduzir a humanidade.
esta eva um dia revoltar-se-há e falará a deus, por todas as mulheres da história. eu vou escrevê-la.
e porque a condição de mulher é a condição de geradora de vida, por isso de mãe, e por isso éramos vénus no início da história que não era dos homens, e somos agora o género secundário porque o poder maior alguma vez existente na terra é o de gerar vida dentro do corpo; foi o poder do útero que deixou as mulheres na esquina da história para perseguirmos os homens história fora como quem esgravata direitos e vidas podres. vai haver o tempo da redenção dos homens pelo roubo antigo do poder que era feminino e vai haver paz entre os géneros porque estes vão desaparecer e vão ficar só os sexos. o feminino e o masculino, completamente brancos um do outro, quase indistintos. e nessa altura eva vai falar a deus em todas as línguas do mundo.
por tudo isto, hoje é o dia da mulher e o dia de eva, porque todas as mulheres são evas de deus.
a sufragista sempre com o sufrágio feminino na boca
"à minha mãe, o conceito mais absoluto".é-o sempre, mesmo que o esqueçamos, porque é a pura existência reproduzida, e ela vem sempre do útero. nos tempos idos da medieval era, os homens sábios da igreja cristã defendiam que todos nós e todos os seres futuros nascemos e nasceríamos do útero de Eva, um útero gigante que continha todos os seres humanos nascidos e por nascer, como por vontade de um deus... a eva divina era não mais não menos que uma personagem feminina, digna de deus para carregar no seu interior toda a criação divina, ou seja, que deus não haveria nunca de nos ter no seu útero porque apenas o espaço feminino o permite.
assim, temos um deus grande sem útero que inventa uma única mulher para reproduzir a humanidade.
esta eva um dia revoltar-se-há e falará a deus, por todas as mulheres da história. eu vou escrevê-la.
[elas] "têm uma balança no peito onde os homens pesam a boca"
v.h.m. in "a cobrição das filhas"
e porque a condição de mulher é a condição de geradora de vida, por isso de mãe, e por isso éramos vénus no início da história que não era dos homens, e somos agora o género secundário porque o poder maior alguma vez existente na terra é o de gerar vida dentro do corpo; foi o poder do útero que deixou as mulheres na esquina da história para perseguirmos os homens história fora como quem esgravata direitos e vidas podres. vai haver o tempo da redenção dos homens pelo roubo antigo do poder que era feminino e vai haver paz entre os géneros porque estes vão desaparecer e vão ficar só os sexos. o feminino e o masculino, completamente brancos um do outro, quase indistintos. e nessa altura eva vai falar a deus em todas as línguas do mundo.
por tudo isto, hoje é o dia da mulher e o dia de eva, porque todas as mulheres são evas de deus.
a sufragista sempre com o sufrágio feminino na boca





