
Um longo cachecol feito por encomenda, há cerca de um ano atrás. Está disponível na minha loja online, sempre por encomenda, e numa bonita paleta de cores à escolha.
A provar que, em qualquer sítio, e grandemente por parte de mulheres, o tricot ainda é visto como uma perda de tempo e também como oposição ao acto fácil de comprar.
A verdade, é que comprar terá um dia de ser difícil, para que qualquer forma de manufactura seja valorizada por si e não apenas como um hobby. Fazer tricot (ou crochet ou tapeçaria) manualmente, é um processo que, só por si, introduz uma nova escala de sensibilidade em relação àquilo que compramos. Infelizmente, ao ser encarado como um passatempo, não deixa espaço ao encontro do valor do trabalho manual, do trabalho têxtil, que é (quase) sempre geralmente menosprezado.
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| Alice Bernardo |
Os meus gorros para pequeninos estão a dar os primeiros passos. Há dois tamanhos disponíveis: para recém-nascidos (0-3 meses) e para bebés dos 6-24 meses. Qualquer outro tamanho pode ser encomendado directamente. Basta escolher as cores do vosso gorro, aqui.
São feitos em lã e alpaca: materiais naturais, muito quentes e macios. Não devem ser lavados na máquina (correm o risco de feltrar e encolher) por isso o melhor será lavar à mão em água tépida e secar ao ar, na horizontal.
A meu pedido, a Alice fotografou o Nico com o seu novo gorro, uma encomenda para este Inverno.
Há mais modelos e cores na loja.
Os meus gorros estão de novo à venda, agora com a ajuda precisosa da Maria: fotógrafa e modelo destes gorros quentinhos. São tricotados em lã e alpaca — fios de uma marca nórdica — e são muito muito quentes. A loja é esta: esta, no Etsy.

O meu sonho — mesmo, mesmo — era poder desenhar de raíz uma dessas poucas "marcas" de fibras portuguesas. Fibras são, na gíria das tricotadeiras e afins, fios feitos de coisas que podem ser naturais como a lã e o algodão, ou artificiais como o acrílico.
Sonhava em desenhar logótipos, etiquetas, imaginar sites, lojas online; sonhava em imaginar fios, de texturas diferentes e cores infinitas, criar modelos e peças em tricot e crochet, kits DIY e outras coisas que tal, com tanto bom gosto como é possível. Mas sem a tentação de um gosto inglês (ou escocês), ou nórdico, ou mesmo norte-americano.

A preparar coisas tão importantes como bonitas.
Ou o lado prático de uma tese que escrevi há quatro anos: como valorizar simbolicamente o comércio tradicional da cidade do Porto, tendo por base o potencial da memória.
Na prática, tudo é menos romântico, mas no fundo é a própria concretização dos sonhos; no final, essa concretização pode ficar mais aquém do que sonhamos, mas é sempre uma concretização, nem que seja de tentativas.
Esperemos que no futuro, esta história seja ainda mais rica do que já é; e que mais pessoas a conheçam! Em breve, vamos dá-la a conhecer.

Tricotar uma amostra (para o workshop) com esta lã tão bonita e fofa e fazer quadrados com o azul mágico da João. Que tarde de domingo de primavera.















