os dias são mais curtos agora que te descobri todo por dentro;
trago ainda a vontade de tocar o coração e as tuas penas interiores
essas, do desejo.
fotografei-te no peito, uma imagem desfocada
mostrou-me dos teus lábios, a utopia do beijo
e os teus olhos que morriam em melancolias finas.
olhavam directamente o tempo e falavam de nostalgia.
perdi-me nesses olhos, no canto da tua sombra estática.
trago ainda a vontade de tocar o coração e as tuas penas interiores
essas, do desejo.
fotografei-te no peito, uma imagem desfocada
mostrou-me dos teus lábios, a utopia do beijo
e os teus olhos que morriam em melancolias finas.
olhavam directamente o tempo e falavam de nostalgia.
perdi-me nesses olhos, no canto da tua sombra estática.
o dia da praia foi o dia um de mudar
o dia do vinho foi o dia dois de mudar.
mudar, foi de dias, sequências sofridas, rápidas
e com desespero entre as dobras do corpo,
um respirar de novo o que me alimenta.
eu. eu me como no vazio dos dias e
desejo, sóbria, etérea e única.
a solitária.
não é necessário morrer para voltar a sentir
basta contar fios nos dias e libertar na pele
o bicho dos sentidos.
percorro as linhas gordas da utopia espelhada
em planos obtusos, na volúpia da alma.
o dia do vinho foi o dia dois de mudar.
mudar, foi de dias, sequências sofridas, rápidas
e com desespero entre as dobras do corpo,
um respirar de novo o que me alimenta.
eu. eu me como no vazio dos dias e
desejo, sóbria, etérea e única.
a solitária.
não é necessário morrer para voltar a sentir
basta contar fios nos dias e libertar na pele
o bicho dos sentidos.
percorro as linhas gordas da utopia espelhada
em planos obtusos, na volúpia da alma.
Quando cais,
o corpo são pedras.
Sorrir nos momentos reais
é mais fraco e até triste
pela comiseração patética
da alegria.
Há coisas, de esconder
cá dentro, que não são
de dizer, nem falar delas.
Rompes-me e és
menos meu que
nunca; agora só eu
escolho. Tu sentes.
Há uma gravidade
só das pernas e do tecto sob nós
e choramos.
Sorrir nos momentos reais
é mais fraco e até triste
pela comiseração patética
da alegria.
Há coisas, de esconder
cá dentro, que não são
de dizer, nem falar delas.
Rompes-me e és
menos meu que
nunca; agora só eu
escolho. Tu sentes.

a minha rainha, um génio vestido de adolescente precoce.
para ouvir com atenção e muito humor. uma miúda de revivalismos subtis e uma imagem e som que parecem reciclados do novo. uma coisa nova a cheirar a tempos nunca vistos e de uma personalidade autêntica e deliciosa. linda!
Animal Collective Winter's Love
Há musicas quase tão perfeitas como um filme de muitas músicas perfeitas, feito de pedaços de futilidade, parvoíce e coisas sérias. há filmes e músicas que nos despertam a alma a fazerem a esperança chorar de brilhos nos olhos.
Esta música dos animal collective é uma dessas, das que dão paz e ao mesmo tempo, uma esperança só de querer respirar melhor para ver mundos brilhantes, leves e quentes como músicas perfeitas.
Quando se encontram músicas destas tais pérolas em filmes brilhantes de música perfeita (yo la tengo, animal collective, scott matthew, the ark) sabe bem esperar pelo fim do genérico a espiolhar autorias e coisas de sentir com a alma. nas salas de cinema, acho que as almas por vezes se elevam e ficam coladas ao tecto, a olharem para baixo, tal entusiasmo de iluminação repentina. gosto só de ver filmes que me iluminem por dentro, e especialmente, dos que só me dão vontade de sair do cinema a sorrir, alma longe e contente.
minutos antes havia também escrito isto... achei-o mais tarde num post perdido
as músicas que nos transcendem são quase tão fantásticas como um filme de muitas músicas perfeitas numa obra vibrante: "esclarecedora", iluminadora, coisa de luzes nas coisas fúteis e bárbaras, de risos sobre as coisas incómodas e duma sinceridade que faz chorar a esperança. Esta música dos animal collective é uma música dessas que dão uma paz interior tão inebriante e brilhante por dentro como as maravilhas do devendra banhart e do antony. Esta música, duma tribalidade urbana sobre um inverno que soa a quente, é um pretexto excelente para ver o filme shortbus, que ganha um significado novo e uma força essencial com esta música e as baladas lindas do scott matthew. Coisas nova-iorquinas duma globalidade incessante, uma sensação ilusória de partilha mundial do desespero e da esperança, uma futilidade brilhantemente filmada.
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| Piero Fornasetti |
As meninas crescem sem saberem. Observam de tempos a tempos a alma cuidadosamente para não a rasgar, penteiam-na, limpam-na, sabem-na maior, mas guardam segredo para elas mesmas. Lá no fundem sentem a alma envelhecida, mais nobre.
A sua vontade Peter Pan de alma jovem em corpo-de-menina-grande rouba-lhes os dias à procura de defeitos na alma. São meticulosas na sua ignorância do crescer. Enquanto a alma envelhece, o corpo quer-se jovem, cuidadosamente jovem, sempre cuidado, sem perigo de denunciar infância ou velhice. A idade é um segredo guardado entre a alma e o coração; para os outros são o corpo, as virtudes da alma são a pele desse corpo e os defeitos só os vêem à meia-luz. Nos segredos pequenos dessa alma adolescente sentem o coração como bicho faminto, coisa pulsante por vida e de vida. Sabem-no delirante por bater mais, e acalmam-no, educando a sua pulsação. Comportar esse coração é tarefa difícil, um equilíbrio balançante entre as mãos e a cabeça.
Todas as partes do corpo são medidas, estudadas, equacionadas em surpresas e desafios matemáticos: medir o corpo até à profundidade, tirar as medidas de cór sem ver a alma ao espelho, um único milímetro faz a diferença da imagem que têm de si mesma a cada instante.
Quando o corpo desaponta, a alma corrige, fala a consciência por ela e desmente mentiras para si mesma. As meninas são poços de mentiras delas mesmas por corrigir, reescrevem-se todos os dias enquanto se banham e analisam as imperfeições da pele. Magras, esguias, tristes ou volumosas de medo, as meninas que crescem sopram suspiros para exalar os medos do corpo.
Ao crescer exalam perfumes de Primavera e não são mais corpo e alma, para serem cadernos de almas por escrever. Todos os dias uma nova, mais bela, mais penteada, limpa, perfumada e amadurecida. As meninas quando crescem não dão por isso. Lembram-se mais tarde que se viram crescer, através da película fina da alma, viam coisas por ser e outras já vividas.
Uma janela grande no peito ilumina-se pelas noites como estrela morta, e a alma descansa em paz, num corpo maior.
as meninas, filosofia feminina da infância
ou dos corpos crescentes

Menina era inocente. Vítima da sua própria incompletude, a ignorância era para ela uma virtude pois conhecer não era seu objectivo. Saber viver, para Menina, era ser com a maré do tempo, segui-la para
onde fosse e não saber de dentro de si, apenas ser para fora. Menina era para si o seu reflexo de fora de si mesma, o que via era o que os Outros viam, e só sabia de si porque os Outros sabiam.
onde fosse e não saber de dentro de si, apenas ser para fora. Menina era para si o seu reflexo de fora de si mesma, o que via era o que os Outros viam, e só sabia de si porque os Outros sabiam.
Antes de a conhecer achei que Menina não poderia viver sozinha pois acabaria por se esquecer da sua própria existência. Mas não. Menina vive muitas vezes sozinha e não se esquece de si mesma. Não pensa em si, apenas vive para fora sem dizer palavra porque tão pouco fala para dentro de si, apenas para os Outros. No entanto, por raro que pareça, Menina não se perde de si, nem desespera!, é Menina sem pensar em ser Menina e sem pensar nos Outros.
Eu quero ser como Menina.





