[uma julieta faltou ao encontro com um romeu]
parti uma romã exactamente
a meio e os meus olhos
tornaram-se gomos vermelhos
tinha cerejas nas pontas dos dedos
e na minha boca trincava frutos crocantes
como veías sanguíneas, era necrófila e sugava vida.
passei a tarde toda a limpar a casa vermelha.
Esqueci-me do meu romeu no café.
Foi sentir um estalido sobre os olhos
e respirar entre pernas, suave, majestosa por dentro,
a saber o infinito útero em mim d’Eva, a escolhida.
Foi como abrir um leque guardado no fundo e no meio,
saber grande e palpitante o que haverá a esconder.
Foi inspirar lento e compassado enquanto pego com pinças em pratos,
tachos, água, chama, lábio, sangue e cozinho tudo em fogo lento,
no lume do teu coração.
E escolher palavras sem acidente, gestos interiores e cuidados,
como pousar beijos na testa dos filhos.
e respirar entre pernas, suave, majestosa por dentro,
a saber o infinito útero em mim d’Eva, a escolhida.
Foi como abrir um leque guardado no fundo e no meio,
saber grande e palpitante o que haverá a esconder.
Foi inspirar lento e compassado enquanto pego com pinças em pratos,
tachos, água, chama, lábio, sangue e cozinho tudo em fogo lento,
no lume do teu coração.
E escolher palavras sem acidente, gestos interiores e cuidados,
como pousar beijos na testa dos filhos.
Disseste-me:
Este é o meu coração gigante. Vê como brilha.
É um rubi cintilante, orgânico e pulsante. É tão belo!
Eu defendi-me:
E este é o meu pássaro de estimação. Guardei-lhe as asas numa caixa de marfim.
Eram pequenas e penso usá-las um dia, como adorno. São jóias de voo mortas.
Não me perguntaste mais nada. Ambos sabíamos que o brilho dessas jóias era suficiente para nos cegar aos dois, por instantes, só pela vaidade de admirar coisas impossíveis.
Fechaste-me os olhos e roubaste-me a luz, de uma dor assim branca e densa de claridade. Fulminou-te por dentro e fez-te de uma luz santa a espalhar sombras por todo o lado. Vestias de branco.
continuo a guardar dinossauros no coração
são meigos no meu peito e só me afectam a reputação.
caem grandes nas páginas tímidas dos meus caderninhos azuis.
guardo-os como amuletos nas mãos e não
sinto vergonha deles. os clichés são como os dinossauros.
são enormes e invisíveis.
caem grandes nas páginas tímidas dos meus caderninhos azuis.
guardo-os como amuletos nas mãos e não
sinto vergonha deles. os clichés são como os dinossauros.
são enormes e invisíveis.
os dias são mais curtos agora que te descobri todo por dentro;
trago ainda a vontade de tocar o coração e as tuas penas interiores
essas, do desejo.
fotografei-te no peito, uma imagem desfocada
mostrou-me dos teus lábios, a utopia do beijo
e os teus olhos que morriam em melancolias finas.
olhavam directamente o tempo e falavam de nostalgia.
perdi-me nesses olhos, no canto da tua sombra estática.
trago ainda a vontade de tocar o coração e as tuas penas interiores
essas, do desejo.
fotografei-te no peito, uma imagem desfocada
mostrou-me dos teus lábios, a utopia do beijo
e os teus olhos que morriam em melancolias finas.
olhavam directamente o tempo e falavam de nostalgia.
perdi-me nesses olhos, no canto da tua sombra estática.








