Durante o último mês do ano passado mostrei pela primeira vez ao vivo (numa loja pop-up) o resultado deste ano inteiro de trabalho focado em renovar a Mariamélia — um projeto que já conta com quatro anos de existência sem nunca se ter definido por completo. Neste último ano, decidimos encontrar um objetivo e persegui-lo, montar um projeto no qual acreditamos e fazer dele a nossa atividade profissional a tempo inteiro.
Mas como em todos os projetos, e todas as percerias, há um momento crítico em que percebemos que temos que tomar decisões difíceis porque o caminho que as coisas estão a tomar não é consensual ou então porque não vemos os resultados que esperávamos. Neste caso, a parceria que tinha formado o projeto deixou de fazer sentido porque já não era ela que sustentava o projeto — na verdade, era o projeto que sustentava essa parceria, e isso não fazia sentido.
Resolvemos por isso terminar essa parceria e eu decidi seguir com o projeto a solo, contando com as muitas pessoas com que colaboro regularmente: na sua maioria artesãos e makers locais, que trabalham desde a madeira e o metal, do vime à cana, da cerâmica aos têxteis. Sem esta rede fundamental de pessoas não havia Mariamélia. A nova Mariamélia nasceu exatamente desta rede de contactos, de experiências que resultaram e do trabalho que tem sido desenvolvido desde o final de 2017 — e sem esta rede não seria nada. Uma das ideias mais importantes a retirar desta nova fase é exatamente esta: um projeto tem de estar assente em pessoas e contactos sólidos — sem esses contactos, fechados numa bolha, não é possível construir um projeto pertinente, que tenha impacto e que se proponha a ter voz sobre uma série de matérias: como um consumo (politicamente) mais consciente, um estilo de vida mais lento, baseados na necessidade de viver de uma forma realmente sustentável.
Além dos artesãos com que colaboramos, os nosso fornecedores de materiais — que vão desde pequenas fábricas nacionais a lojas de comércio tradicional na cidade — são outros parceiros essenciais, sem os quais seria muito difícil desenvolver produtos tão diversos, e garantir uma escala artesanal e local em cada um desses produtos.
A propósito desta mudança, decidi continuar a falar no plural, porque a Marimélia é cada vez mais um projeto a muitas mãos, e a tantas vozes, que me ajudam nos momentos mais difíceis, e nas decisões menos consensuais.
A Mariamélia é, também por isso, a soma de todas as coisas que gosto de fazer, e reflete muitos dos valores de trabalho, consumo e filosofia de vida que defendo e sigo. Tem sido, aliás, um projeto que "alicerça" os meus ideais de vida, propondo alternativas de consumo mas também exigindo de mim uma coerência e consistência nas escolhas que faço. E isso tem sido mais que bom!
Acompanhem diariamente a Mariamélia no instagram e no facebook, e quinzenalmente, subscrevendo a newsletter que escrevo e componho duas vezes por mês. Se gostam de blogues, leiam também os artigos que escrevo no blogue do projeto.
antes de ver A Favorita
A seleção musical do ano de 2018, escolhidas na ressaca do ano seguinte. Poucos repetentes, muitas novidades boas.
Há alguns meses juntei-me a uma manifestação organizada por uma organização feminista da cidade no Porto, a propósito de mais uma triste decisão do Tribunal da Relação do Porto, desta vez num caso de violação, em que os arguidos acabaram com penas suspensas. Esta manifestação reuniu algumas centenas de pessoas na Praça Amor de Perdição, em frente à antiga Cadeia da Relação do Porto. No final da noite eram pouco mais de uma centena de pessoas aí concentradas. Havia uma presença discreta de dois agentes da autoridade, afastados alguns metros dos manifestantes. Quando abandonei essa zona, em direção à Cordoaria, passei junto à antiga Praça de Lisboa, onde hoje em dia existe um pequeno shopping disfarçado com um jardim de oliveiras na parte de cima. Nesse "jardim" — que ocupa um espaço que é público, mas também privado — havia uma concentração de público bem acima de uma centena de pessoas, muita música e ambiente de festa. Havia também muita luz (que não havia já na praça pública onde terminava agora a manifestação), e inúmeras referências gráficas a uma marca de bebidas alcoólicas. Não havia aí a presença visível de membros das autoridades, apesar da concentração de pessoas.
Esta visão foi mais uma de muitas que me fazem repensar a ideia de espaço público, mas principalmente, da forma como o estamos a condicionar para determinadas finalidades — sempre relacionadas com a possibilidade de trocas comerciais. Seja num formato mais corporativo (neste exemplo), ou no caso das feiras de artesanato, ou nas feiras de objectos em segunda mão (das quais já participei), aquilo que pressupõe a participação individual no espaço da cidade é invariavelmente o ato de consumo, ou de troca comercial. Tendo esta prioridade, a cidade será dirigida no sentido de trocar os espaços públicos de discussão (o Ágora) pelos espaços de reunião em torno do consumo — pela sensação de segurança, confiança e conforto que é assegurada pela privatização destes espaços públicos e semi-públicos. É uma privatização da cidade validada pelos seus cidadãos, que se demitem do seu papel político de pessoas da cidade, a polis, (cidadãs e cidadãos), para serem não mais que consumidores.
Belize: Real love isn't ambivalent. I'd swear that's a line from my favorite best-selling paperback novel, "In Love with the Night Mysterious", except I don't think you've ever read it. Well, you ought to, instead of spending the rest of your life, trying to get through "Democracy in America." It's about this white woman whose daddy owns a plantation in the Deep South, in the years before the Civil War. And her name is Margaret, and she's in love with her daddy's number-one slave, and his name is Thaddeus. And she's married, but her white slave-owner husband has AIDS: Antebellum Insufficiently-Developed Sex-organs. And so, there's a lot of hot stuff going down, when Margaret and Thaddeus can catch a spare torrid ten under the cotton-picking moon. And then of course the Yankees come, and they set the slaves free. And the slaves string up old daddy and so on, historical fiction. Somewhere in there I recall, Margaret and Thaddeus find the time to discuss the nature of love. Her face is reflecting the flames of the burning plantation, you know the way white people do, and his black face is dark in the night and she says to him, "Thaddeus, real love isn't ever ambivalent."













