Lisboa é uma coleção infinita de padrões, talvez tão vandalizados e ainda mais sujos que os portuenses. Há muitos padrões exclusivos. Uns são teias de aranha, outros só figuras geométricas. As cores são sempre tão mais vibrantes e desconexas.
A maravilhosa e cor-de-rosa (e tão corajosa) exposição da Mariana, a Miserável e da Maria Imaginário.
Lisboa foram dois dias. Literalmente. Cheguei numa segunda-feira de tarde com tempo suficiente para uma visita ao meu antigo espaço de trabalho, recanto de tricot e morada de umas tantas lojas engraçadas. Está diferente, mas sempre com aquele estilo trashy tão lisboeta.
Re-encontrei o meu antigo knitting spot, agora cenário de um qualquer West Side Story lisboeta.


Nessa noite fui ver o concerto que me levou a Lisboa, do qual saí com menos certezas que tinha antes. Antes disso, tempo de fotografar as traseiras do hostel: uma Lisboa tropical, com outono a fingir, no meio do caos da Avenida principal com tantos guindastes pelo céu.
Went to see Pure Comedy, found Pure Poetry.
"Mas, por muito livres que pareçam alguns dos seus movimentos, Josh Tillman nunca abre mão do controlo. É difícil decifrar, no seu rosto e sobretudo na primeira metade do concerto, o que lhe vai na alma. As diferentes máscaras que vai colocando servem-lhe invariavelmente na perfeição (...) e continuam a fazer de si uma personagem intrigante, capaz de conduzir um concerto com várias "temperaturas". Mas é quando, no regresso para encore, entabula conversa com os fãs, no fosso, ou se deixa impressionar pelo carinho do público ("this is incredible, what the hell"), que se vislumbra, reticente, o cidadão por detrás do artista, ou o rosto por trás de tanta máscara."
Achei que foi muito isto do que escreveu a Lia Pereira no Blitz, apesar de uma sensação geral de pequena desilusão com a máquina super-programada deste espetáculo. Tenho pena que haja cada vez menos espaço (físico e económico) para a música ser o que puder ser em cada lugar, com uma dose de improviso e espontaneidade que já não parece sobreviver em lugar nenhum. No final, ficou-me este sabor amargo, de imaginar a facilidade com que a música seduz para não se chegar sequer à poesia, e muito menos ao conteúdo das palavras, que para mim, sempre foram a razão de querer ouvir.
As sombras mágicas de uma rua por onde passei tantas vezes, na minha outra vida lisboeta, aquela em que a felicidade ainda aparecia pelo meio das sombras.
A casa, que de sonho se transformou em jaula, prendeu-me até há muito pouco tempo a um passado distante, que já não existe. Havíamos de poder desenhar as casas dos nossos sonhos para que eles lá coubessem, em vez de os confiarmos a qualquer sítio onde pareça caber a esperança.
A propósito deste post:
Se o espaço privado e o espaço público convivem, lado a lado, deve haver pelo menos bom senso a guiar as opções do espaço privado enquanto espaço público.
Alterar uma fachada de uma loja é uma opção privada que devia apenas estar repleta de bom senso (e bom gosto) para que não destrua aquilo que pertence ao público, ou seja, a todos.
Existem cada vez mais designers e arquitetos disponíveis para encontrarem soluções com bom senso e bom gosto, sem ser necessário a arrogância de "esconder" azulejos arte nova, num claro desdém pelo património arquitetónico. atitudes dessas fariam desmerecer uma localização num edifício como esse.
Se as leis que temos (ou as instituições) não defendem o património, as pessoas comuns (comerciantes, farmacêuticos, jornalistas, designers, arquitetos) deveriam zelar por essa réstia de bom senso e de bom gosto que com pouco esforço torna tudo mais simples e mais belo.
sem violências.
(texto que enviei por e-mail aos senhores da Farmácia em questão).

















