Os meus gorros estão de novo à venda, agora com a ajuda precisosa da Maria: fotógrafa e modelo destes gorros quentinhos. São tricotados em lã e alpaca — fios de uma marca nórdica — e são muito muito quentes. A loja é esta: esta, no Etsy.

O meu sonho — mesmo, mesmo — era poder desenhar de raíz uma dessas poucas "marcas" de fibras portuguesas. Fibras são, na gíria das tricotadeiras e afins, fios feitos de coisas que podem ser naturais como a lã e o algodão, ou artificiais como o acrílico.
Sonhava em desenhar logótipos, etiquetas, imaginar sites, lojas online; sonhava em imaginar fios, de texturas diferentes e cores infinitas, criar modelos e peças em tricot e crochet, kits DIY e outras coisas que tal, com tanto bom gosto como é possível. Mas sem a tentação de um gosto inglês (ou escocês), ou nórdico, ou mesmo norte-americano.
Pérolas do Ricardo Araújo Pereira nas suas crónicas da Visão (folheada sempre no dentista)
"A austeridade é como as cerejas."
"Se o resgate é isto, prefiro o sequestro."
"Igreja Universal do Reino do Empreendedorismo."
Por causa do nome do fio: João, voltei ao crochet para fazer a derradeira manta de quadrados. Chamei-a de manta de São João, porque me lembra as noites de verão infinitas e quentes, manjericos e luas cheias, girassóis e praia.

O jogo amoroso português, muito complexo, muito interessante, em que os homens fazem-se de brutos… e as mulheres… é muito interessante o jogo. Muita estratégia, muito saber, muita jogada… E depois com acessos torrenciais de sinceridade, de choro, cenas com uma torrencial… que só pode ser sincera! E isso… é preciso muito saber do jogar, a manipulação... e depois “o toma lá".
A cultura portuguesa, no sentido amplo da cultura amorosa portuguesa é declaradamente sentimental. Declaradamente baseada na pena ou na desgraça e na lágrima… que não tem a conotação negativa.
E isso é uma coisa muito boa: as pessoa não têm medo de chorar, num filme ou qualquer coisa mais sentimental… Porque também… o sentimentalismo, o ódio ao sentimentalismo é uma moda, é uma coisa que data do romantismo e que foi muito agravado agora no século XX com as teorias literárias. O sentimentalismo em si o que é que tem de errado? O que é que tem de errado a manipulação de sentimentos, ou a apresentação de sentimentos de pena ou… exacerbados?
(…) A relação amorosa portuguesa é muito muito sentimental. É muito muito lamechas, ou seja, mas lamechas num sentido profissionalíssimo. Nós estamos a falar numa craveira de lamechas… ui, sexto, sétimo “dan” de lamechice. Tudo o que seja: carneiro-mal-morto, pobre-de-mim, desgraçado-estou-para-aqui-caído, não sei quê, em Portugal estamos a falar de mestres. São todos, desde os cinco anos já são mestres.
Miguel Esteves Cardoso










