No espaço de dois dias já ouvi duas pessoas a queixar-se da proposta de lei que fará com que o Alojamento Local seja sujeito à autorização dos condomínios.
Parece-me cada vez mais uma cegueira generalizada. Eu não quero viver em cidades-fantasma, em que as pessoas locais desaparecem para os subúrbios, ou até para outras cidades. Não quero também, como a maioria das pessoas não quererá, viver em prédios onde entram diariamente pessoas diferentes, o que certamente gerará um sentimento de insegurança. Também não quero deixar de ver as mesmas pessoas que vejo na minha rua, ou na frutaria, ou no autocarro. Até porque se isso acontecer na escala galopante em que acontece, em breve esses serviços vão-se converter apenas em serviços de valor mais alto, pensados apenas para o segmento do turismo.
A única forma de conter o turismo num elemento agregador e não destruidor do tecido social de uma cidade (que é também preservar aquilo que a maioria dos turistas procuram nas cidades portuguesas) será uma regulamentação atenta não só da construção de hotéis mas também da regulação do alojamento local, um negócio que se tornará uma selva, não tarda muito.
Há muitos mais argumentos para esta questão, mas basta pensar a próxima geração, a querer viver ou estudar nas cidades, terá que alugar apartamentos a preço muito inflacionados pela desregulação absoluta do turismo local. O que fará com que tanto os estudantes como as universidades progressivamente abandonem os centros urbanos (o que aliás, já acontece). Sem jovens no centro e sem famílias (que não podem comportar o custo de vida na cidade), restam-nos apenas os serviços, o entretenimento e os turistas. Ninguém vai querer visitar uma cidade feita de e para turistas, e aí, rebentará finalmente a bolha do El Dourado do turismo de massas. Esperemos que já não seja muito tarde para a podermos reclamar a cidade de volta.
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Uma imagem para ilustrar tão bem estas ideias (já que não tenho fotografias que mostrem a absoluta turistificação do centro do Porto, porque me concentro a registar aquilo que lhe escapa).
E dois artigos essenciais:
A única forma de conter o turismo num elemento agregador e não destruidor do tecido social de uma cidade (que é também preservar aquilo que a maioria dos turistas procuram nas cidades portuguesas) será uma regulamentação atenta não só da construção de hotéis mas também da regulação do alojamento local, um negócio que se tornará uma selva, não tarda muito.
Há muitos mais argumentos para esta questão, mas basta pensar a próxima geração, a querer viver ou estudar nas cidades, terá que alugar apartamentos a preço muito inflacionados pela desregulação absoluta do turismo local. O que fará com que tanto os estudantes como as universidades progressivamente abandonem os centros urbanos (o que aliás, já acontece). Sem jovens no centro e sem famílias (que não podem comportar o custo de vida na cidade), restam-nos apenas os serviços, o entretenimento e os turistas. Ninguém vai querer visitar uma cidade feita de e para turistas, e aí, rebentará finalmente a bolha do El Dourado do turismo de massas. Esperemos que já não seja muito tarde para a podermos reclamar a cidade de volta.
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Uma imagem para ilustrar tão bem estas ideias (já que não tenho fotografias que mostrem a absoluta turistificação do centro do Porto, porque me concentro a registar aquilo que lhe escapa).
E dois artigos essenciais:

Aquele comentário precioso de todas as velhinhas que ouvimos toda a vida, e que é realmente verdade. Porque é o essencial. Porque sem saúde (física ou mental), mudamos irremediavelmente a nossa vida e a das pessoas que nos rodeiam.
Não há epidemia que não leve consigo de arrasto o amor como o conhecíamos.
Primavera adentro
pela janela aberta
Pousou em todos
os móveis,
e nas minhas
pernas
Soubesse eu
tratar-se de uma
andorinha
Havia guardado
aquele pássaro.
Até me esquecer
da casa,
da morada
do meu coração
escancarado.












