“(…) O fim do império, a 25 de Abril de 1974, poderia ter sido o começo do diálogo sobre o que aconteceu desde o século XV, esse dia inicial inteiro e limpo / onde emergimos da noite. Em vez disso, os demónios mais antigos foram empurrados para o fundo antes de virem à tona.
Todos os impérios são uma história da violência, caberá a cada um atravessar a sua para ser mudado. Quando isso não acontece o filho do que foi morto falará e o filho do que matou não conseguirá entendê-lo, porque o lugar do outro está por experimentar, nunca houve transformação. Quem teme deixar de ser quem é não vai saber quem foi nem quem vai ser. De olhos e ouvidos fechados aos espíritos, continuará a cobrir-se com as mesmas palavras.”
Alexandra Lucas Coelho, Deus-dará
Um blog com treze anos, feitos este mês: abandonado a tempos, mas sempre a tempo de ser retomado. A viver sempre de acordo com os anos e aquilo que há em mim, desde a disponibilidade às ideias de coisas a partilhar.

Um artigo sobre como comecei a fazer pão, e as minhas rotinas há cerca de um ano atrás, nesta entrevista pela Teresa Leonor, que tem colecionado conversas com várias pessoas interessadas em pão de fermentação natural e no gosto pela comida e os seus rituais, como nesta entrevista à Mi Mitrika.
Há oito anos a aturar este bicho-peludo. Quando já nem me lembrava que eu era dos gatos, que nos salvam sempre, quase sem querer.

Da espera, da paciência, da resistência, da serenidade, da confiança que é preciso ter para ser resiliente. Aquilo que queremos muito, exige-nos uma austeridade pessoal. Calma, foco e paciência, para que as coisas se desenvolvam com o seu próprio tempo, para que as ideias cresçam e amadureçam seguras. Para que tudo assente sobre ideias muito fortes e essencialmente, sobre princípios.
Continuar um projeto tão pessoal, mesmo sendo feito a quatro mãos, e transformá-lo num negócio com futuro, ainda me parece uma ideia estranha. Talvez porque o lado pragmático dos negócios sempre tenha colidido de frente com as coisas em que acredito. Mas deve haver uma outra forma de fazer um negócio, em que os nossos princípios não desvaneçam com as dificuldades, e cujos objetivos sejam realistas e pragmáticos, tão ao contrário da nossa tendência pessoal. E que os nossos receios possam ser guiador por esses objetivos, sem lhes ceder.
Encontrar um espaço de pertença, para uma marca, como para nós próprios, é uma tarefa de confiança mas também de resistência.










