"(...) Boa parte da minha geração acomodou-se, tornou-se conservadora. Reage mal à ideia de feminismo. Reage mal à ideia de mudar de boas maneiras, de hábitos, para acomodar minorias. Reage mal à «revelação» do papel central do nosso país nessas coisas de conquista, escravatura, etc.
Reage mal à ideia que a cultura muda. Que não se está a moralizar a cultura. A cultura que defendem contra o politicamente correcto também era uma forma muito forte de moralidade. A ideia que as mulheres são musas, objectos do desejo, etc. A ideia do génio criativo, bruto, autor, total. E homem. E outras tantas ideias feitas.
Reage mal à mudança, nem sequer se pergunta se é boa ou má antes de decidir. Porquê deixar de dizer Descobrimentos? Porquê não dizer Mariconço? Porquê não associar cor de rosa a raparigas? Porquê não achar que a domesticidade é naturalmente feminina? Porquê deixou de ser o Woody Allen um humorista sofisticado para ser também um grunho? Nem sabem, nem querem sequer responder a isso. É tudo censura e ameaça e estalinismo.
O reverso da moeda é que se perde a capacidade para apreciar o que aí vem. Produz-se crítica literária a avisar que tal livro não agradará a quem não gosta do politicamente correcto. Gasta-se metade de uma crítica de cinema a denunciar a importância excessiva de um filme em termos de identidade negra, feminina, gay.
Já não foi a primeira vez nem será a última que se muda de critério, que se muda de estética, e há facções que se chocam.
Lembrei-me disso tudo quando vi o vídeo abaixo que é brilhante e calculo que totalmente incompreensível para um monte de gente, as pessoas acima sobretudo. Para elas será só mais outra infiltração do politicamente correcto."
texto do Mário Moura publicado em 07-05-2018 no Facebook
“(…) O fim do império, a 25 de Abril de 1974, poderia ter sido o começo do diálogo sobre o que aconteceu desde o século XV, esse dia inicial inteiro e limpo / onde emergimos da noite. Em vez disso, os demónios mais antigos foram empurrados para o fundo antes de virem à tona.
Todos os impérios são uma história da violência, caberá a cada um atravessar a sua para ser mudado. Quando isso não acontece o filho do que foi morto falará e o filho do que matou não conseguirá entendê-lo, porque o lugar do outro está por experimentar, nunca houve transformação. Quem teme deixar de ser quem é não vai saber quem foi nem quem vai ser. De olhos e ouvidos fechados aos espíritos, continuará a cobrir-se com as mesmas palavras.”
Alexandra Lucas Coelho, Deus-dará
Um blog com treze anos, feitos este mês: abandonado a tempos, mas sempre a tempo de ser retomado. A viver sempre de acordo com os anos e aquilo que há em mim, desde a disponibilidade às ideias de coisas a partilhar.

Um artigo sobre como comecei a fazer pão, e as minhas rotinas há cerca de um ano atrás, nesta entrevista pela Teresa Leonor, que tem colecionado conversas com várias pessoas interessadas em pão de fermentação natural e no gosto pela comida e os seus rituais, como nesta entrevista à Mi Mitrika.
Há oito anos a aturar este bicho-peludo. Quando já nem me lembrava que eu era dos gatos, que nos salvam sempre, quase sem querer.









